POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


SAIR NO AFOXÉ DOS FILHOS DE GANDHI

Será um sonho ou um chamado antigo,

voz que ressoa nos ventos do tempo?

Branco alvejante, paz em abrigo,

passos que dançam num só sentimento.

O alabê entoa a sina dos ventos,

os atabaques despertam a pele,

e cada som é um elo, um intento,

em fios sagrados que o orum revele.

Vestir-me, então, de espuma e axé,

ser rio que corre na terra e no céu,

sair no Afoxé, sentir quem sou,

no ouro dos dias, no azul do véu.

As contas reluzem, memória em transe,

Odoyá me leva nas águas da fé,

no passo que vibra, na luz que avança,

sou filho da rua, sou filho de Ifé.

E lá vem Ogum, no brilho do aço,

senhor dos caminhos, do fogo e do chão,

ferro que corta, forjando o espaço,

na lança que abre destino e visão.

Oriki em louvor ao dono da guerra,

que firma os pés e traça o destino,

seus olhos reluzem, trovão sobre a terra,

guiando os passos do povo em seu hino.

E quando os ventos soprarem meu nome,

nos braços do povo, no giro do andor,

saberei que o sonho que veste meu corpo

é Ogum marchando no ritmo do amor.

 

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 25/02/2025


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