POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


GRITO SILENCIADO

Ela gritou, mas ninguém ouviu,

A voz sufocada no aço do tempo,

Os olhos marcados pelo medo,

O corpo ferido, sangrando em lamento.

Quantas se vão sem nome, sem rosto,

Perdidas na frieza das estatísticas?

Sonhos ceifados, futuros negados,

Sentenças escritas em páginas cínicas.

A mão que acaricia também golpeia,

O beijo que prometeu amor agora queima,

E os passos que outrora dançavam livres

Tombam na sombra de quem a odeia.

Em casa, na rua, no silêncio imposto,

O cárcere é a rotina que não termina,

A justiça se veste de venda e desculpas,

Enquanto a morte se faz rotina.

Basta de corpos mutilados,

De vidas roubadas à luz do dia,

De sorrisos apagados na covardia,

De mães, filhas, irmãs sem saída.

Que a voz calada se torne tempestade,

Que os gritos rompam os muros da indiferença,

Que a impunidade caia e se despedace,

Que o medo não seja herança ou sentença.

Porque não é o amor que mata,

Não é a paixão que fere e condena,

É o ódio travestido de posse,

É o homem que a vê como pequena.

Que não reste mais uma sepultura,

Que não falte justiça, nem proteção,

Que cada mulher viva e seja livre,

Que sua história jamais termine em escuridão!

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 12/03/2025


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