![]() GRITO SILENCIADOEla gritou, mas ninguém ouviu, A voz sufocada no aço do tempo, Os olhos marcados pelo medo, O corpo ferido, sangrando em lamento. Quantas se vão sem nome, sem rosto, Perdidas na frieza das estatísticas? Sonhos ceifados, futuros negados, Sentenças escritas em páginas cínicas. A mão que acaricia também golpeia, O beijo que prometeu amor agora queima, E os passos que outrora dançavam livres Tombam na sombra de quem a odeia. Em casa, na rua, no silêncio imposto, O cárcere é a rotina que não termina, A justiça se veste de venda e desculpas, Enquanto a morte se faz rotina. Basta de corpos mutilados, De vidas roubadas à luz do dia, De sorrisos apagados na covardia, De mães, filhas, irmãs sem saída. Que a voz calada se torne tempestade, Que os gritos rompam os muros da indiferença, Que a impunidade caia e se despedace, Que o medo não seja herança ou sentença. Porque não é o amor que mata, Não é a paixão que fere e condena, É o ódio travestido de posse, É o homem que a vê como pequena. Que não reste mais uma sepultura, Que não falte justiça, nem proteção, Que cada mulher viva e seja livre, Que sua história jamais termine em escuridão!
Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 12/03/2025
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