POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


SONHOS …(TRILOGIA)

INTERROMPIDOS

 

Nas ruas frias, o silêncio grita,

o asfalto rubro conta histórias não escritas.

Sonhos que nunca despertam,

vidas ceifadas antes da aurora.

Eram meninos de riso leve,

meninas de olhos estrelados,

mas o chumbo insensível, voraz,

fez do futuro apenas passado.

A bala não pergunta nome,

não vê idade, nem cor, nem prece.

A justiça? Um espectro ausente,

um fantasma que nunca aparece.

E as mães? Ah, as mães…

Tecem lutos em abraços vazios,

beijam retratos como se fossem pele,

ouvem vozes no vento tardio.

Quem ousará contar essas histórias?

Quem gravará seus nomes na eternidade?

Ou serão apenas ecos perdidos,

espectros de uma sociedade?

O mundo gira, indiferente,

mas a terra engole a juventude.

E a noite chora seu pranto mudo,

em meio à impunidade e à plenitude…

de um sistema que mata,

de um destino sem piedade,

de uma vida interrompida

antes da própria idade.

 

RASGADOS

 

As sombras dançam nos becos sujos,

onde gritos são abafados pela indiferença.

O aço frio dilacera a pele,

antes que o fogo devore a esperança.

Não é só o estalo seco da bala,

mas a lâmina que desenha o desespero,

as mãos que esculpem a dor

com requintes de riso e ferro.

Não há piedade nos olhos do algoz,

nem hesitação no pulso que torce,

somente o êxtase sádico

de ver um corpo se dobrar à agonia.

E não são velhos lobos sedentos,

são jovens, são rostos comuns,

são aqueles que ontem sonhavam,

mas hoje se embriagam do sangue de outros sonhos.

A vingança se veste de espetáculo,

a tortura se torna arte perversa.

Como pode a juventude ser tão velha

na crueldade que destila sem pressa?

E no chão, um corpo que já foi alguém,

olhos vítreos fitando o nada,

uma última lágrima se mistura à terra,

e o amanhã se desfaz em silêncio.

Mas a cidade segue, impassível,

engolindo os gritos entre buzinas.

O sangue seca, a vida apaga,

e os monstros dormem tranquilos esta noite.

 

SILENCIADOS

 

Gritos ecoam nas ruas frias,

mas ninguém os escuta.

Sonhos esvaem-se em poças rubras,

apagados sem culpa.

 

Nomes riscados sem despedida,

infâncias ceifadas ao léu,

mães que abraçam o vazio da vida,

clamando respostas ao céu ou a qualquer crença

 

Por que tanta lâmina afiada?

Por que a maldade sem porquê?

Quantos passos nunca dados?

Quantos olhos sem amanhecer?

 

Cada bala que rasga um destino

cala uma história que não se escreveu.

Cada vida tombada no asfalto

leva um universo que foi concebido

 

Onde está a justiça que dorme,

cega entre cifras e ambições?

Onde está o socorro urgente

para corações em convulsões?

 

Que nossas palavras sejam escudo,

que a indignação nos faça lutar.

Para que nenhuma voz seja muda,

para que ninguém precise sangrar.

 

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 12/03/2025


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