![]() À SOMBRA DO FASCISMOErgue-se a sombra dos tempos idos, Com botas firmes a marchar, Ecoam gritos endurecidos, Querendo a história apagar. Nos palanques, punhos cerrados, Promessas ocas, ódio e dor, Discursos vis, rostos fechados, A liberdade em estertor. Ah, fascismo, espectro vil, Passado e agora a espreitar, Nações inteiras sob o frio, Do medo a tudo sufocar. Queimam-se livros, rasgam-se sonhos, Calam-se bocas, morrem ideais, E o sangue jorra pelos escombros Da tirania e seus generais. Ouve, oh tempo, esse aviso: A história insiste em se repetir, Se não houver olhar preciso, O horror renasce a nos ferir. E assim, sob a máscara da ordem, A falsa paz se faz prisão, E os povos seguem, sob a desordem, Ao som de um hino de opressão. Pois onde há medo, o monstro cresce, Onde há silêncio, ele floresce, E quando a voz se faz ausente, O fascismo volta… e permanece. Há uma marcha sombria ao fascismo E avisos não faltam E conhecimento do passado existem Alertas são acionados a cada dia Pisam forte os pés do açoite, Na terra fértil da opressão, Rompem-se as vozes, cala-se a noite, Instala-se o medo, morre a razão. Queimam bandeiras de liberdade, Queimam direitos, queima o pensar, E a história, em sua eternidade, Volta a ruir, a se dobrar. Mãos que antes erguiam livros Agora se fecham em obediência, Sonhos antes vivos e livres Tornam-se grades de penitência. Oh, liberdade, quão frágil és, Num sopro de ódio és destruída, E o que era brilho em tantos pés Torna-se sombra enfraquecida. A carne que fala, a mente que grita, Tornam-se alvos, tornam-se rastros, E o fascismo, praga maldita, Se fortalece em seus estilhaços. Quem ousa erguer-se, denunciar, Tem o silêncio imposto à força, E em cada esquina, um espreitar, Onde a verdade já não se ouça. Direitos humanos? Rasgam papéis! Fazem do homem mero instrumento, E enquanto entoam seus falsos corcéis, Forjam prisões no esquecimento. Mas saibam que a história ensina, Mesmo em tempos de escuridão, Que todo império que extermina Colhe ruínas em suas mãos. E virá o dia, virá a hora, Em que as vozes hão de romper, E a liberdade, que foi embora, Voltará viva para vencer.
Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 03/04/2025
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