POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


O CREPÚSCULO E A ETERNIDADE DE CONSTANTINOPLA ( 572 anos de sua queda)

Na alvorada do destino, cruza-se mil caminhos,

Constantinopla—o coração pulsante entre dois mundos.

Pelas muralhas ancestrais, ecos de glória e dor,

O ouro da cristandade, a prata do califa—seu novo senhor.

Mas que fim é este, senão um novo começo?

Onde cúpulas sussurram preces e saberes em uníssono.

Por entre ruas de pedra, a alma cosmopolita resiste,

Pelos mercadores, pelos filósofos, pelas vozes que insistem.

Ó Bizâncio, guardiã dos mistérios e do esplendor,

Teus mosaicos cintilam, mesmo envoltos em outro fervor.

Santa Sofia, templo e símbolo, se veste em novas cores,

Mas em cada canto seu espírito persiste e flores.

E em suas bibliotecas, pergaminhos cruzam mares,

Eruditos partem, levando luz para terras distantes.

O Ocidente se renova, renascimento desponta,

Graças às letras que viajaram de tuas fontes.

Dentro de teus palácios, veludos e sedas contam histórias,

Candeias iluminam manuscritos em línguas diversas.

E por tuas praças, o aroma do café e das especiarias,

Mistura-se à voz dos poetas e músicos em sinfonias.

Eis teu legado, eterno e infinito,

Nem a foice do tempo pôde extinguir o que foi escrito.

De tuas ruínas surgem novas capitais e reinos,

Mas Constantinopla—eterna—vive nos sonhos e destinos

Na aurora incerta de maio, bradaram os tambores,

Muralhas antigas sucumbiram aos novos senhores.

No sangue e no fogo, a cidade tombou,

Constantinopla—o farol—sua chama se apagou.

Mas que fim é este, que ecoa tão fundo?

Uma era encerrada, um novo alvorecer no mundo.

Doze séculos em mármore, saber e esplendor,

Na poeira do tempo, tornaram-se rumores.

Ó Bizâncio, mãe do pensamento e da arte,

Seus ícones e templos agora se repartem.

Santa Sofia, de cúpula eterna e divina,

Hoje veste um véu, reza em nova língua.

E o Ocidente tremeu ante o passo dos novos impérios,

Sentiu-se órfão do legado, perdido em mistérios.

Os eruditos fugiram, carregando em mãos

Os velhos escritos, as luzes, os vãos.

E assim se ergueu um novo destino,

Pela foice e pela lua, um reino a caminho.

Dos portões ao Bósforo, o mundo se alterou,

Na queda de um trono, outro raiou.

Sob o estandarte otomano, a cidade pulsava,

Misturando histórias, povos, culturas que viajavam.

Na dor e na glória, na perda e no ganho,

Constantinopla—Eterna—sempre será um estranho sonho.

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 31/05/2025


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