POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


REVOLUÇÕES COLORIDAS

Vermelho foi o fogo em Moscou,

Na Rússia o czar tombou,

A foice e o martelo ao alto ergueram,

Na esperança que o povo regresse.

 

Vermelho, de novo, em solo chinês,

Onde o dragão o império desfez.

Um mar de bandeiras em sangue e sol,

A nova ordem, um duro anzol.

 

Amarelo brilhou em Manila ardente,

Nas ruas a fita, o povo presente.

Um ditador caiu, mas o sonho hesitou,

Pois o novo poder também vacilou.

 

Rosa floriu na Geórgia inquieta,

Um grito suave, uma rua repleta.

O trono corrompido perdeu seu lugar,

Mas o tempo diria se era pra amar.

 

Laranja incendiou a Ucrânia tensa,

A fraude vencida pela crença.

Mas laranja também desbotou,

Quando o futuro o povo cobrou.

 

Verde em Teerã, o clamor da cidade,

Nas praças do Irã, a mocidade

Pediu eleições, pediu liberdade —

E o verde esmaeceu na realidade.

 

Tulipas no Quirguistão desabrocharam,

No vento nas estepes se espalharam.

Mas a flor murchou tão breve, tão só,

Na terra onde o povo continua o pó.

 

Veludo foi o nome em Praga branda,

Um toque macio, a multidão comanda.

Mas o veludo, ao toque do poder,

Por vezes se rasga sem ninguém ver.

 

Púrpura no dedo do iraquiano,

Tinta de voto, gesto humano.

Mas o púrpura da urna manchou,

Quando a guerra o chão queimou.

 

E o mundo pintou em cada nação

Suas cores, seus gritos, sua revolução.

Mas cor após cor, o que restou?

Um arco-íris que o povo chorou.

 

São cores que tremulam

São sonhos que iluminam

A esperança por dignidade

A democracia como opção!

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 06/07/2025


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