

EM NOME DE QUEMEm nome de quem se puxa o gatilho? Em nome de qual paz se semeia o luto? Que justiça é essa que mata dormindo e transforma um lar em campo de insulto? Quantos sorrisos desfeitos no asfalto por fardas que juraram proteger? Quantas crianças tombam caladas, sem nunca entender por que deixaram de viver? Maicon dos Santos, no bairro da Paz, levava o lanche, tinha 12 de idade. A polícia atirou — disse que era confronto. Mas só havia medo, dor e verdade. Iago Santos, no Nordeste de Amaralina, baleado no colo da mãe, sem razão. Na quebrada onde o povo só sonha viram sangue correr como maldição. Gabriel dos Santos, do bairro de Plataforma, 16 anos e tantos projetos no olhar. A PM alegou “suspeita de algo” — mas o futuro não pode mais voltar. Matheus Fernandes, em Sussuarana Alta, voltava da escola, farda manchada de vermelho. Disseram que houve “tiro cruzado”, mas só havia silêncio e um corpo no espelho. E onde está o Estado que cala? Que mata e depois falsifica o papel? Quem consola as mães que soterram os filhos sob o peso de um fuzil “institucional”? Salvador sangra, mas não se entrega. Dos becos de São Cristóvão ao Cabula, cada alma caída é semente de luta, cada nome lembrado é denúncia que pulsa. Não é acidente, é estrutura podre, é cor que define quem deve sofrer. É bairro, é CEP, é um nome riscado, antes mesmo da criança nascer. Em nome de quem se cala e consente? Em nome de que lei se ceifa o viver? Se o uniforme vira sentença de morte, a quem resta o direito de sobreviver? Claudia, Genivaldo, Gabriel, Maicon... o céu guarda os nomes que a terra não quis. Mas aqui, a poesia eterniza os rostos que a bala tentou apagar por um triz.
Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 07/07/2025
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