POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


QUINTAL IANQUE

QUINTAL IANQUE — I O Olhar do Império

 

No sul do mapa, onde o sol é sangue, cresce o grito abafado por botas de aço.

O norte vigia com olhos de águia, e chama de paz o seu laço.

“América para os americanos” — diz o império com dentes cerrados,

mas os americanos do sul são tratados como quintal cercado.

Bananas, petróleo, cobre e suor, viram moeda no jogo do medo.

Cada golpe, cada ditador, tem selo ianque no enredo.

Do Caribe às cordilheiras, há rastros de fuzis e promessas.

Democracia? Só se for bandeira que encubra as velhas pressas.

Monroe, fantasma de gravata, dança sobre tumbas esquecidas.

 

E o quintal, ainda que bata, não rompe as correntes escondidas.

Mas há fogo nos Andes, há canto nos pampas, há memória nas veias abertas.

E o quintal, um dia, se levanta com suas raízes descobertas.

 

QUINTAL IANQUE — II Versos sobre soberania ferida

Se o povo escolhe sem bênção do norte, vem o silêncio que precede o estrondo.

Urnas viram ameaça à ordem, e a liberdade, um jogo hediondo.

Tio Sam, com luvas de seda e punhos de ferro, sussurra “democracia” enquanto planta o erro.

Se o voto não serve ao mercado e ao medo, há tanques, há sanções, há segredo.

Presidentes eleitos viram alvos, se não beijam o anel do império.

E a vontade popular, tão clara, é varrida como pó do critério.

Nações livres, com história e alma, são tratadas como peças no tabuleiro.

Soberania? Só se for calma, e submissa ao velho parceiro.

Mas há vozes que não se calam, há urnas que resistem ao aço.

E o quintal, mesmo sob ameaça, cultiva rebeldia no espaço.

 

QUINTAL IANQUE — III Versos de resistência e memória

Mas nem todo quintal se cala, nem toda raiz se curva ao machado.

Há sementes que brotam em chamas, e vozes que cruzam o cerrado.

Há líderes com olhos de povo, que tombam, mas não se apagam.

Seus nomes viram muralhas, onde os ventos do norte se esmagam.

Camponeses, estudantes, poetas, erguem punhos contra o silêncio imposto.

E cada praça ocupada, cada greve, é um poema escrito no rosto.

As balas não vencem a lembrança, nem o medo apaga o desejo.

O quintal, ferido, dança com a esperança em lampejo.

E se o império insiste em moldar o destino alheio com mãos estrangeiras,

há muralhas de dignidade nas favelas, nas selvas, nas feiras.

Porque a América é dos que sonham, dos que lutam com o peito aberto.

E o quintal, um dia, será jardim livre, rebelde, desperto.

 

QUINTAL IANQUE — IV Libelo às escolhas

Escolher é verbo sagrado, nascido do suor e da esperança.

Não há império que apague o direito de uma voz que balança.

Cada voto é um grão de futuro, plantado em terra que sangrou.

E quem tenta arrancá-lo do chão não conhece o que o povo jurou.

Não há bandeira estrangeira que possa ditar o destino alheio.

A liberdade não tem fronteira, nem se curva ao dinheiro alheio.

O quintal não é mais quintal, é terra de gente que escolhe.

E quem vier com farsa e navalha, vai encontrar muralha que não se encolhe.

Porque há força na urna simples, há poder no gesto comum.

E o libelo que hoje se ergue é o canto de todos em um.

A América é dos que vivem nela, dos que nela amam e sonham.

E o império que teme escolhas é o que mais se esconde e se envergonha.

 

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 05/09/2025


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