

PODER DA MUSICAA música não pede licença ela entra No silêncio onde a alma se esconde É verso antes da palavra É lágrima antes do choro No amor ela é toque sem pele Na dor ela é colo sem braços Na poesia ela é o sopro que acende o verbo Há notas que curam feridas que nem o tempo soube ler Há acordes que dizem o que o coração não ousa escrever A música é ponte entre o que fomos e o que ainda sentiremos Ela é eternidade em três minutos de verdade Na infância ela era balanço sem vento No ventre era batida antes do nome No luto ela é presença sem rosto No sagrado ela é reza sem palavras A música não precisa entender para tocar Ela toca onde o poema ainda não chegou Ela é o eco do que sentimos sem saber É o amor quando o amor não sabe se explicar A música é o poema que se escuta Com o corpo e dança com a alma A música é o que resta quando o tempo leva tudo Ela toca onde o nome já virou silêncio Na sala vazia a canção antiga ainda dança No cheiro do café na cortina que balança Ela sussurra quem já partiu Há vozes que não morrem porque viraram melodia Há risos guardados em acordes que só o coração sabe ouvir A música é memória sem fotografia É abraço sem corpo E presença sem explicação Ela chega sem pedir e nos leva sem pressa No piano esquecido há dedos que ainda sonham No rádio da infância há domingos que não voltam Mas a música faz voltar Faz viver o que já foi como se fosse agora E no agora ela é ponte entre o que amamos E o que ainda somos
Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 03/11/2025
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