POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


BUCHA, CANTO FERIDO

 

Em Bucha,

o vento ainda tropeça nos gritos

que a madrugada não conseguiu calar.

Há passos interrompidos nas esquinas,

há sombras que jamais deveriam ter sido feitas,

há nomes que o silêncio tenta guardar

para que o mundo não esqueça

o que a covardia ousou tocar.

 

As ruas sangram memórias.

No asfalto frio, ficaram

as últimas perguntas de quem não teve volta,

o olhar suspenso

de quem acreditava que a vida

ainda cabia na próxima esquina.

 

Poeticus Eternus choraria aqui —

porque há dores que não se descrevem,

só se reverenciam.

Há sofrimentos que não se explicam,

só se acolhem com o peito nu,

aberto, exposto, em solidariedade.

 

A invasão que rasgou Bucha

não trouxe glória,

não trouxe honra,

não trouxe futuro.

Trouxe apenas a prova amarga

de que a covardia

é sempre filha da força cega

e da ausência de alma.

 

E no entanto,

entre os destroços,

uma chama insistiu em existir:

o espírito de um povo

que não aceita ser calado.

A resistência que se levanta

mesmo quando já levaram tudo.

O grito que se torna oração,

memória, justiça,

promessa.

 

Que Bucha seja sempre dita,

sempre lembrada,

sempre honrada —

para que a dor não vire costume,

para que o sofrimento não vire paisagem,

para que a covardia

nunca mais seja confundida

com força.

 

Porque ali,

onde a morte tentou fazer morada,

a humanidade ainda respira.

E cada vida perdida

permanecerá eterna

na poesia que denuncia,

na palavra que resiste,

no amor que insiste

em renascer

mesmo depois da escuridão.

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 06/12/2025


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