

BUCHA, CANTO FERIDO
Em Bucha, o vento ainda tropeça nos gritos que a madrugada não conseguiu calar. Há passos interrompidos nas esquinas, há sombras que jamais deveriam ter sido feitas, há nomes que o silêncio tenta guardar para que o mundo não esqueça o que a covardia ousou tocar.
As ruas sangram memórias. No asfalto frio, ficaram as últimas perguntas de quem não teve volta, o olhar suspenso de quem acreditava que a vida ainda cabia na próxima esquina.
Poeticus Eternus choraria aqui — porque há dores que não se descrevem, só se reverenciam. Há sofrimentos que não se explicam, só se acolhem com o peito nu, aberto, exposto, em solidariedade.
A invasão que rasgou Bucha não trouxe glória, não trouxe honra, não trouxe futuro. Trouxe apenas a prova amarga de que a covardia é sempre filha da força cega e da ausência de alma.
E no entanto, entre os destroços, uma chama insistiu em existir: o espírito de um povo que não aceita ser calado. A resistência que se levanta mesmo quando já levaram tudo. O grito que se torna oração, memória, justiça, promessa.
Que Bucha seja sempre dita, sempre lembrada, sempre honrada — para que a dor não vire costume, para que o sofrimento não vire paisagem, para que a covardia nunca mais seja confundida com força.
Porque ali, onde a morte tentou fazer morada, a humanidade ainda respira. E cada vida perdida permanecerá eterna na poesia que denuncia, na palavra que resiste, no amor que insiste em renascer mesmo depois da escuridão.
Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 06/12/2025
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