POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


I° EMENDA - VOZ EM CERCO

No princípio,

a palavra era livre.

Não pedia licença,

não se curvava ao poder,

não vestia farda,

nem beijava anéis.

A Primeira Emenda

ergueu-se como coluna ética:

pensar, dizer, escrever,

crer ou descrer —

sem medo,

sem algemas invisíveis.

Mas eis o paradoxo do tempo:

líderes que bradam “liberdade”

com a boca cheia

e os punhos cerrados.

Defendem-na em discursos,

traem-na em decretos.

Cala-se a imprensa

com cortes, processos, intimidações.

Persegue-se o jornalista

como se a pergunta fosse crime

e a verdade, subversão.

A oposição vira inimiga,

a crítica vira afronta,

o dissenso vira ameaça

à vaidade travestida de nação.

Não queimam livros —

basta silenciar quem os escreve.

Não fecham bocas à força —

basta espalhar o medo

até que o silêncio se torne hábito.

A mordaça moderna

é digital, jurídica, econômica,

polida no discurso

e brutal na intenção.

Mas a palavra resiste.

Sempre resiste.

Escapa pelas frestas da história,

renasce nos becos,

nas redações sitiadas,

nas vozes que tremem

mas não se rendem.

Porque liberdade de expressão

não é favor do Estado,

é limite ao poder.

E quando líderes temem a palavra,

é porque sabem:

nenhum império sobrevive

à verdade dita em voz alta.

Aeternum autem —

a palavra não morre.

Ela espera.

E quando retorna,

derruba muros

construídos com mentiras.

 

 

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 20/12/2025


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