

QUEM VAI PARAR? ( Uma ode para a Ucrânia)Quem vai parar o punho fechado do ódio quando ele aprende a linguagem do fogo? Quem vai deter os trilhos da morte que cruzam cidades como sentenças sem juiz? Há casas que já não são casas, são memórias esmagadas, fotografias queimadas no chão do tempo. Há berços vazios que aprenderam cedo o silêncio dos cemitérios. Quem vai parar a noite que cai ao meio-dia, quando o céu se rompe em estilhaços de aço e a terra sangra nomes? A guerra não pede licença. Ela entra. Ela toma. Ela apaga. Apaga risos, apaga escolas, apaga futuros antes mesmo de nascerem. Quem vai parar o relógio enlouquecido que conta corpos em vez de horas? Os olhos do mundo assistem, alguns em oração, outros em cálculo, outros em indiferença confortável. Mas a dor não é estatística. A dor tem rosto, tem frio, tem fome, tem medo. Há mães abraçando o nada, pais cavando a terra com as próprias mãos, crianças aprendendo que o medo também educa. Quem vai parar essa violência sem fronteiras que transforma homens em armas e a linguagem em propaganda? A poesia grita, mesmo sob escombros. Ela pede socorro com voz de ruína e coração aberto. Que alguém pare. Que alguém diga basta. Que a vida seja mais forte que a pólvora, que o amor sobreviva ao império da destruição. Quem vai parar? Enquanto houver silêncio cúmplice, a morte continuará falando alto. E a poesia — última trincheira da humanidade — continuará clamando por luz no meio do inferno.
Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 24/12/2025
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