POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

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PELAS RUAS DE SALVADOR

Pelas ruas de Salvador

o tempo não passa — dialoga.

Ele se senta nos degraus das ladeiras,

encosta nas fachadas gastas,

escuta os passos de quem veio antes

e de quem ainda sonha chegar.

As ruas falam.

Falam em pedra, em cal, em sal.

Falam nas curvas do Pelourinho,

nas praças que respiram encontros,

nas ladeiras que exigem do corpo

o mesmo esforço que a história exigiu do povo.

Salvador é chão de travessias.

É África que permaneceu.

É Europa ressignificada.

É indígena ainda pulsando na terra.

Aqui, a miscigenação não é discurso:

é pele, é gesto, é sotaque, é ritmo.

A cidade canta.

Canta nos atabaques que chamam os orixás,

no violão que chora saudade,

no trio elétrico que explode alegria,

no samba que abraça,

no axé que levanta,

no silêncio respeitoso dos terreiros.

Pelas ruas de Salvador,

a culinária é memória viva.

É dendê que perfuma o ar,

é acarajé que alimenta a alma,

é moqueca que reúne histórias à mesa,

é tempero ancestral

que ensina que cozinhar também é resistir.

As cores não decoram — afirmam.

Azuis, amarelos, vermelhos,

cores que não pedem permissão.

Elas dizem quem somos,

de onde viemos,

e por que ainda estamos aqui.

E há o mar.

Sempre ele.

Testemunha e promessa.

As praias não são paisagem:

são descanso, são oração,

são espelho de um povo que aprende

a recomeçar todos os dias.

Salvador não se visita apenas.

Salvador se sente.

Se ouve.

Se prova.

Se aprende.

Pelas ruas de Salvador,

o mundo passa,

mas a alma fica.

 

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 09/01/2026


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