POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


O QUE É O AMOR?

O amor

não pede licença.

Chega como quem fica,

mesmo quando diz adeus.

É um silêncio que entende,

um olhar que não explica

— apenas permanece.

O amor mora no intervalo:

entre o que somos

e o que ainda tentamos ser.

Não é promessa alta,

nem verso perfeito.

É gesto pequeno,

quase invisível,

feito café morno

e madrugada acordada.

Amor é aceitar a falha

como parte do rosto,

é tocar o tempo do outro

sem querer consertá-lo.

Às vezes dói,

não porque é fraco,

mas porque é inteiro.

Ama quem fica

mesmo quando o mundo cansa,

quem carrega o outro

sem carregar correntes.

O amor não salva,

mas acompanha.

Não responde,

mas escuta.

E quando tudo passa

— o corpo, o medo, o dia —

ele fica:

feito palavra simples

que atravessa a vida

sem nunca se gastar

O amor é pergunta que não se cansa,

é verbo sem dicionário,

é silêncio que fala quando a voz falha.

É quando o tempo desacelera

só para caber num olhar,

e o mundo, imenso,

se recolhe num gesto mínimo

— um toque,

um cuidado,

uma espera.

O amor não grita:

ele permanece.

Mesmo ferido,

mesmo cansado,

mesmo quando tudo em volta

parece ruína.

É o sim que se diz

sem plateia,

é o ficar quando partir

seria mais fácil.

O amor é matéria invisível,

mas pesa.

Pesa na consciência,

na escolha,

no que se cala

para não ferir.

Às vezes é prece,

outras vezes é dúvida.

Há dias em que se parece com Deus:

não se vê,

mas se sente

em cada dobra da alma.

O amor é aceitar o outro

como mistério intacto,

sem querer decifrá-lo por completo,

sem reduzir sua vastidão

a uma explicação simples.

É comunhão de imperfeições,

é aprender a amar

o que não se entende,

o que não se controla,

o que não se possui.

Quando é verdadeiro,

o amor não aprisiona:

liberta.

Não exige:

oferece.

Não promete eternidades vazias:

constrói presenças profundas.

O amor é encontro

entre duas solidões

que se reconhecem

e decidem caminhar juntas,

não para se completar,

mas para se ampliar.

E talvez o amor seja isso:

um exercício diário de transcendência,

onde o eu se curva,

o nós se ergue,

e a alma aprende

a ser maior do que era

antes de amar.

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 23/01/2026


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