POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


GULAG - ARQUITETURA DO SILÊNCIO

Não eram apenas campos.

Eram ideias de ferro,

erguidas para esmagar nomes,

para reduzir o homem a número

e o corpo a estatística.

Lá, o frio não vinha só da Sibéria.

Vinha da lógica do poder

que chamava terror de ordem,

e morte lenta de reeducação.

Barracas de madeira podre,

arame farpado como gramática oficial,

torres de vigia ensinando

que olhar é vigiar

e vigiar é dominar.

Trabalhavam até o osso aprender a desistir.

Minas, florestas, estradas impossíveis.

O suor congelava antes de cair,

e a fome era método,

não acidente.

O crime?

Pensar diferente.

Lembrar demais.

Questionar.

Ou simplesmente existir

no lugar errado da história.

Ali, o tempo não passava:

apodrecia.

Dias iguais, noites idênticas,

esperanças reduzidas a rumores

sussurrados entre sombras humanas.

Chamavam de correção.

Mas era aniquilação moral.

Chamavam de justiça social.

Mas era a vitória do medo

travestida de igualdade.

O Gulag ensinou ao mundo

uma lição brutal:

quando o Estado se torna absoluto,

o ser humano vira descartável.

E ainda hoje,

cada campo que silencia,

cada prisão que apaga identidades,

cada regime que transforma o dissenso em delito

carrega, mesmo sem neve,

o mesmo gelo histórico.

Porque o Gulag não morreu.

Ele muda de nome,

muda de bandeira,

mas renasce sempre

que a dignidade é sacrificada

em nome de uma verdade única.

E a poesia denuncia,

não para vingar,

mas para lembrar:

onde o homem é reduzido,

a barbárie governa.

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 30/01/2026


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