

LIMPEZA ETNICAHá palavras que a História escreve com tinta de sangue e silêncio. Palavras que não deveriam existir, mas atravessam séculos como cicatrizes abertas. Nos campos gelados da Europa, o povo judeu caminhou entre cercas e fumaça, lembrança eterna do abismo que o ódio humano pode cavar. Nas montanhas da Anatólia, os ecos do povo armênio ainda sussurram entre igrejas antigas e trilhas de exílio. Em Rwanda, a terra chorou em noventa e quatro, quando irmãos foram separados pela lâmina da intolerância cultivada. Nos vales de Bosnia and Herzegovina, Srebrenica se tornou um nome pesado, um nome que o vento repete para que o mundo não esqueça. No silêncio do povo Rakhine State, os rohingya caminham entre fronteiras que se fecham como portas sem compaixão. E antes disso, muito antes, nas Américas, povos originários foram empurrados para as margens do próprio céu, onde seus ancestrais haviam semeado vida. Limpeza étnica — nome frio para uma tragédia quente, quando se tenta apagar culturas como se fossem poeira na História. Mas os povos resistem. Resistem na língua que sobrevive, na canção que insiste em nascer, na memória transmitida de avó para neto, de aldeia para mundo. Porque nenhum vento de violência é mais forte que a permanência da dignidade. E a poesia — como testemunha do tempo — ergue-se contra o esquecimento. Para lembrar: cada povo é uma chama, cada cultura é um universo, e exterminar um povo é ferir o próprio futuro da humanidade. Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 22/02/2026
Comentários
|