

HIPOCRISIANa tribuna dourada da falsa liberdade Discursos ecoam como hinos de virtude Enquanto mísseis riscam o céu E corpos silenciam sob escombros e poeira. Falam de democracia Com mãos mergulhadas em petróleo e sangue Erguem bandeiras da paz Enquanto financiam tempestades de fogo Em desertos esquecidos pela compaixão. Hipocrisia... Palavra que veste ternos elegantes Sorri diante das câmeras E aperta mãos manchadas Por regimes que sufocam seus próprios povos. Condenam inimigos conforme interesses Mas abraçam ditadores aliados Quando o ouro negro jorra abundante Dos subterrâneos da ambição humana. Cuba resiste bloqueada Há décadas de punições e cercos Enquanto outras nações Recebem afagos diplomáticos Mesmo aprisionando vozes Mesmo esmagando direitos Mesmo transformando o medo em governo. A geopolítica dança Sobre cadáveres invisíveis E a retórica norte-americana Constrói monumentos de moralidade seletiva Onde a verdade muda de roupa Conforme o lucro e a conveniência. Quantas crianças perderam seus nomes Em guerras justificadas pela “ordem”? Quantas mães choraram em silêncio Sob drones que jamais enxergaram rostos? Quantos países foram invadidos Em nome de uma liberdade Que nunca chegou para os sobreviventes? O império moderno não usa coroas Usa contratos Bases militares Mercados financeiros E noticiários que moldam consciências. Mas o mundo desperta lentamente Entre ruínas e contradições Percebendo que nenhuma nação É guardiã absoluta da justiça Quando negocia com tiranos Enquanto prega virtudes ao planeta. Hipocrisia... Velha senhora da política internacional Que condena a guerra em um continente E aplaude bombardeios em outro Que fala em humanidade Enquanto seleciona quais vidas merecem luto. E nós... Observadores deste teatro terrestre Continuamos tocados Pela dor dos inocentes Pela fumaça das mentiras E pela esperança de que um dia A dignidade humana Valha mais que petróleo, armas e domínio. Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 23/05/2026
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