

CATEDRAIS DE FUMAÇAErgueram palácios sobre ossos invisíveis Enquanto o povo mastigava promessas E bebia discursos diluídos em fome. Nas praças As bandeiras tremulam bonitas Mas os hospitais sangram silêncio E as escolas carregam tetos cansados. Os homens do poder sorriem em telas luminosas Vestem cifras Assinam decretos Enquanto crianças aprendem cedo Que o futuro pode faltar no prato. Há uma multidão cansada Percorrendo ônibus lotados Como se cada corpo carregasse Séculos de exploração nos ombros. A liberdade foi vendida em suaves parcelas No crediário das ilusões modernas. E ainda chamam isso de progresso. As cidades brilham neon e miséria Arranha-céus escondem becos famintos E drones sobrevoam a pobreza Como pássaros metálicos indiferentes. O povo grita nas redes Mas silencia nas ruas. Há celulares acesos E consciências adormecidas. Governos passam Impérios tombam Mas permanece o velho vício humano De transformar poder em domínio E esperança em moeda eleitoral. Mesmo assim Alguns ainda plantam poesia No cimento das desesperanças. Porque talvez resistir Seja a última forma de humanidade Antes que o mundo se transforme Definitivamente Numa catedral de fumaça. Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 30/05/2026
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