POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


POETAS DE ONTEM, DE HOJE, DO AMANHÃ

Poetas de ontem

Escreviam à luz vacilante das velas

Enquanto a chuva conversava com os telhados

E o silêncio era um oceano

Onde a alma navegava sem pressa.

Tinham dedos manchados de tinta

E olhos feridos de humanidade

Carregavam guerras no peito

Amores impossíveis nas páginas

E saudades que jamais envelheciam.

Poetas de hoje

Digitam versos em telas iluminadas

Enquanto o mundo desliza os dedos

Sobre notícias, desejos e esquecimentos.

A poesia agora disputa espaço

Com algoritmos, propagandas e distrações.

Mesmo assim

Ainda existe alguém olhando a lua

No meio do caos urbano

Ainda existe alguém chorando baixinho

Ao ouvir uma canção antiga

Ainda existe alguém tentando salvar

A delicadeza do mundo.

Poetas de hoje

Transformam dores em denúncia

E transformam afetos em resistência.

Falam de racismo

De fome

De guerras televisionadas

Da solidão escondida

Atrás de milhares de seguidores.

Poetas do amanhã...

Talvez escrevam entre máquinas conscientes

E cidades cobertas por néons e fumaça

Talvez conversem com inteligências artificiais

Buscando compreender

O que ainda restará de humano.

Mas enquanto houver um coração

Assustado diante da morte

Encantado diante do amor

Ou perplexo diante do tempo

A poesia continuará respirando.

Porque o poeta

Nunca pertence apenas ao seu século.

Ele atravessa eras

Como um peregrino da sensibilidade

Carregando perguntas eternas

Dentro de um pequeno verso.

Poetas de ontem, de hoje, do amanhã...

Todos bebem da mesma fonte invisível:

A necessidade desesperada

De transformar o sentir

Em eternidade.

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 30/05/2026


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