POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


Chamaram-na República,

Vestiram-na com palavras nobres,

Prometeram cidadania,

Direitos, justiça e participação.

Mas pelos corredores do poder

Ainda ecoam velhos acordos,

Velhos conchavos,

Velhas mesas onde poucos decidem

O destino de muitos.

Perplexo observo...

Mudam-se os nomes,

Mudam-se as siglas,

Mudam-se os discursos,

Mas os interesses permanecem sentados

Nos mesmos tronos invisíveis.

A República deveria servir ao povo,

Mas muitas vezes serve aos apetites,

À fome dos privilégios,

À sede insaciável daqueles

Que confundem o público com o privado.

O voto é depositado nas urnas,

Mas quantas vezes parece desaparecer

Nos labirintos das negociações?

Quantas promessas são vendidas

Antes mesmo de nascer o mandato?

Quantas consciências são alugadas

Ao preço de um favor?

Vejo a cidadania ferida,

A ética negociada,

A esperança transformada

Em moeda de troca.

E o povo assiste...

Assiste perplexo,

Assiste indignado,

Assiste cansado

À dança repetida dos interesses.

Uma dança antiga,

Tão antiga quanto os primeiros dias republicanos,

Quando coronéis e poderosos

Desenhavam o país segundo suas conveniências.

Hoje os figurinos são outros,

As tecnologias são outras,

Os discursos são mais sofisticados.

Mas a promiscuidade do poder

Continua deixando suas marcas

Sobre as páginas da democracia.

Que vergonha republicana!

Quando o interesse individual

Se senta acima do bem comum.

Quando a corrupção deixa de ser exceção

E tenta se apresentar como regra.

Quando o cidadão trabalha, paga, espera,

Enquanto os acordos acontecem

Longe de seus olhos.

E ainda assim...

Entre os escombros da descrença,

Resiste uma chama.

A chama da vigilância,

Da participação,

Da memória.

Pois uma República não pertence

Aos que negociam favores.

Pertence ao povo.

E toda vez que a consciência desperta,

Toda vez que a cidadania se levanta,

Toda vez que a verdade rompe o silêncio,

A vergonha dos poderosos

Encontra seu maior adversário:

A voz daqueles que se recusam

A aceitar o inaceitável.

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 23/06/2026


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