

Chamaram-na República, Vestiram-na com palavras nobres, Prometeram cidadania, Direitos, justiça e participação. Mas pelos corredores do poder Ainda ecoam velhos acordos, Velhos conchavos, Velhas mesas onde poucos decidem O destino de muitos. Perplexo observo... Mudam-se os nomes, Mudam-se as siglas, Mudam-se os discursos, Mas os interesses permanecem sentados Nos mesmos tronos invisíveis. A República deveria servir ao povo, Mas muitas vezes serve aos apetites, À fome dos privilégios, À sede insaciável daqueles Que confundem o público com o privado. O voto é depositado nas urnas, Mas quantas vezes parece desaparecer Nos labirintos das negociações? Quantas promessas são vendidas Antes mesmo de nascer o mandato? Quantas consciências são alugadas Ao preço de um favor? Vejo a cidadania ferida, A ética negociada, A esperança transformada Em moeda de troca. E o povo assiste... Assiste perplexo, Assiste indignado, Assiste cansado À dança repetida dos interesses. Uma dança antiga, Tão antiga quanto os primeiros dias republicanos, Quando coronéis e poderosos Desenhavam o país segundo suas conveniências. Hoje os figurinos são outros, As tecnologias são outras, Os discursos são mais sofisticados. Mas a promiscuidade do poder Continua deixando suas marcas Sobre as páginas da democracia. Que vergonha republicana! Quando o interesse individual Se senta acima do bem comum. Quando a corrupção deixa de ser exceção E tenta se apresentar como regra. Quando o cidadão trabalha, paga, espera, Enquanto os acordos acontecem Longe de seus olhos. E ainda assim... Entre os escombros da descrença, Resiste uma chama. A chama da vigilância, Da participação, Da memória. Pois uma República não pertence Aos que negociam favores. Pertence ao povo. E toda vez que a consciência desperta, Toda vez que a cidadania se levanta, Toda vez que a verdade rompe o silêncio, A vergonha dos poderosos Encontra seu maior adversário: A voz daqueles que se recusam A aceitar o inaceitável. Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 23/06/2026
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