

POESIA: ARTE MILENARArte que nos acompanha Arte que nos faz diferenciados Registros milenares Nas tábuas de argila da antiga Mesopotâmia Nos papiros egípcios Com sua simbologia hieroglífica Nos diversos ideogramas espalhados pela antiguidade asiática Arte que se fez palavra E encontrou morada na poesia. Nas epopeias de Homero, nos cantos delicados de Safo, na jornada espiritual de Dante, nos mares navegados por Camões, nas paixões universais de Shakespeare. Arte que atravessou continentes e encontrou novas vozes. Na Pérsia de Rumi, que transformou o amor em caminho para o infinito. Na Índia de Rabindranath Tagore, que uniu poesia, espiritualidade e humanidade em versos luminosos. Na China de Li Bai e Du Fu, que fizeram das montanhas, dos rios e da lua templos da contemplação. No Japão de Murasaki Shikibu, cuja sensibilidade ecoa através dos séculos, e de Matsuo Bashō, que encontrou o universo na simplicidade de um haicai. Na África, onde a poesia habitava a oralidade, os griôs e guardiões da memória, e mais tarde floresceu nas palavras de Leopold Sédar Senghor, que celebrou a negritude como afirmação de identidade e dignidade. Nas Américas, onde Walt Whitman expandiu as fronteiras do verso, fazendo da liberdade uma celebração poética. Onde Emily Dickinson mergulhou na alma humana e encontrou universos dentro do silêncio. Onde Pablo Neruda transformou o amor, a natureza e o povo em monumentos de palavras. Onde Maya Angelou ergueu a poesia como resistência contra a exclusão. Arte que revolucionou a própria poesia. Quando Charles Baudelaire abriu as portas da modernidade. Quando Arthur Rimbaud desafiou todas as convenções. Quando Federico García Lorca uniu tragédia, música e paixão. Quando Fernando Pessoa multiplicou identidades e mostrou que um poeta pode conter multidões. Quando Vladimir Maiakovski fez da poesia um grito lançado ao futuro. Arte que encontrou no Brasil uma extraordinária constelação de vozes. Em Gregório de Matos, que denunciou vícios e hipocrisias. Em Tomás Antônio Gonzaga, que cantou os amores e os sonhos. Em Castro Alves, que transformou a poesia em arma contra a escravidão. Em Olavo Bilac, que lapidou a palavra como quem esculpe mármore. Em Cruz e Sousa, que fez do simbolismo uma experiência transcendental. Em Cecília Meireles, que deu voz ao efêmero e à delicadeza do existir. Em Manuel Bandeira, que encontrou beleza nas pequenas coisas da vida. Em Carlos Drummond de Andrade, que revelou a profundidade escondida no cotidiano. Em João Cabral de Melo Neto, que construiu versos com a precisão de um arquiteto. Em Adélia Prado, que revelou o sagrado presente nas experiências mais simples. Em Cora Coralina, que fez da vida comum um extraordinário patrimônio poético. Em Conceição Evaristo, que transformou memória, ancestralidade e resistência em força literária. Arte que continua viva. Ontem, foi gravada em pedra, em argila, em pergaminhos, em papiros, em manuscritos iluminados. Hoje, habita livros, bibliotecas, escolas, universidades, palcos, músicas, filmes, redes digitais e corações inquietos. Amanhã, continuará existindo. Talvez em linguagens que ainda não conhecemos. Talvez em suportes que ainda não imaginamos. Mas continuará necessária. Porque a poesia não é apenas arte. É memória. É identidade. É denúncia. É resistência. É amor. É questionamento. É liberdade. Quando os impérios ruem, os poemas permanecem. Quando os governantes desaparecem, os versos continuam. Quando as gerações passam, a poesia permanece dialogando com aqueles que ainda não nasceram. E enquanto houver um ser humano olhando o céu, questionando seu destino, amando, sofrendo, sonhando, esperando, a poesia continuará viva. Ontem. Hoje. E amanhã. Como uma das mais belas invenções da humanidade. Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 02/07/2026
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