

SOMOS LIVRES COMO A POESIASem fronteiras, sem limites Somos livres como a poesia. Não porque não existam muros, mas porque aprendemos a atravessá-los com os olhos. A poesia não pede licença para nascer. Surge numa esquina, numa janela aberta, num café esquecido sobre a mesa, no sorriso inesperado de alguém que quase não conhecemos. Somos livres quando conseguimos olhar o mundo sem que o mundo nos diga exatamente como devemos enxergá-lo. Há quem construa prisões com tijolos. Há quem as construa com medos. Há quem coloque grades nas próprias certezas e depois passe a vida chamando aquilo de segurança. A poesia, não. A poesia prefere a janela. Prefere o vento. Prefere a estrada que ninguém terminou de desenhar. Talvez por isso ela incomode tanto. Porque um verso pode caber num papel, mas também pode escapar dele e entrar pela fresta de uma consciência. Pode atravessar fronteiras sem passaporte. Pode visitar um coração sem bater à porta. Pode dizer aquilo que a boca teve medo de dizer. Somos livres como a poesia quando deixamos de pedir autorização para sonhar. Quando entendemos que pensar diferente não é pecado. Que perguntar não é desrespeito. Que mudar não significa perder-se. Às vezes, mudar é finalmente encontrar-se. A liberdade talvez seja isso: ter coragem de escrever a própria história mesmo sabendo que algumas páginas serão borradas pela chuva. E que outras serão escritas com lágrimas. Ainda assim, continuar. Porque a vida não é um poema pronto. É rascunho. É rasura. É verso que se transforma enquanto a gente escreve. E que coisa bonita é poder recomeçar uma frase, uma história, um sonho, uma vida. Somos livres como a poesia. Livres para amar. Para partir. Para voltar. Para permanecer. Para dizer não. Para dizer sim. Para inventar caminhos onde só existiam paredes. E quando alguém perguntar onde termina nossa liberdade, talvez possamos responder com um sorriso: não sei. Ainda estou escrevendo. Porque enquanto houver uma palavra dentro de nós, um sonho procurando espaço, uma esperança respirando no fundo do peito, nenhuma prisão será completamente fechada. E nenhuma vida será completamente escrita. Somos livres. Como o vento. Como o pensamento. Como a poesia. E talvez a maior liberdade seja justamente esta: poder continuar sendo quem somos sem deixar de aprender quem ainda podemos ser. Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 08/08/2026
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