POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


SOMOS LIVRES COMO A POESIA

Sem fronteiras, sem limites

Somos livres

como a poesia.

Não porque não existam muros,

mas porque aprendemos

a atravessá-los com os olhos.

A poesia não pede licença

para nascer.

Surge numa esquina,

numa janela aberta,

num café esquecido sobre a mesa,

no sorriso inesperado

de alguém que quase não conhecemos.

Somos livres

quando conseguimos

olhar o mundo

sem que o mundo

nos diga exatamente

como devemos enxergá-lo.

Há quem construa prisões

com tijolos.

Há quem as construa

com medos.

Há quem coloque grades

nas próprias certezas

e depois passe a vida

chamando aquilo de segurança.

A poesia,

não.

A poesia prefere a janela.

Prefere o vento.

Prefere a estrada

que ninguém terminou de desenhar.

Talvez por isso

ela incomode tanto.

Porque um verso

pode caber num papel,

mas também pode escapar dele

e entrar pela fresta

de uma consciência.

Pode atravessar fronteiras

sem passaporte.

Pode visitar um coração

sem bater à porta.

Pode dizer aquilo

que a boca

teve medo de dizer.

Somos livres

como a poesia

quando deixamos de pedir

autorização para sonhar.

Quando entendemos

que pensar diferente

não é pecado.

Que perguntar

não é desrespeito.

Que mudar

não significa perder-se.

Às vezes,

mudar é finalmente

encontrar-se.

A liberdade talvez seja isso:

ter coragem

de escrever a própria história

mesmo sabendo

que algumas páginas

serão borradas pela chuva.

E que outras

serão escritas

com lágrimas.

Ainda assim,

continuar.

Porque a vida

não é um poema pronto.

É rascunho.

É rasura.

É verso que se transforma

enquanto a gente escreve.

E que coisa bonita

é poder recomeçar

uma frase,

uma história,

um sonho,

uma vida.

Somos livres

como a poesia.

Livres para amar.

Para partir.

Para voltar.

Para permanecer.

Para dizer não.

Para dizer sim.

Para inventar caminhos

onde só existiam paredes.

E quando alguém perguntar

onde termina nossa liberdade,

talvez possamos responder

com um sorriso:

não sei.

Ainda estou escrevendo.

Porque enquanto houver

uma palavra dentro de nós,

um sonho procurando espaço,

uma esperança respirando

no fundo do peito,

nenhuma prisão

será completamente fechada.

E nenhuma vida

será completamente escrita.

Somos livres.

Como o vento.

Como o pensamento.

Como a poesia.

E talvez a maior liberdade

seja justamente esta:

poder continuar sendo

quem somos

sem deixar de aprender

quem ainda podemos ser.

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 08/08/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras