POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

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BIBLIOTECAS HOJE ( AINDA SÃO NECESSÁRIAS?)

BIBLIOTECAS HOJE

( AINDA SÃO NECESSÁRIAS?)

09/09/2026

Ainda há alguém aí?

Há uma porta entreaberta...

E atrás dela

milhares de histórias

esperam por alguém.

Esperam mãos,

olhos,

silêncios...

Esperam aquele leitor

que um dia chegaria

sem saber que estava

prestes a encontrar

um outro mundo.

Mas a sala está quase vazia.

As estantes permanecem de pé,

como árvores antigas

que já não sabem

quantos frutos ofereceram.

Livros repousam.

Alguns há anos

sem conhecer

o calor de uma mão.

E eu pergunto:

onde foram os leitores?

Foram para as telas?

Foram para o celular

que cabe no bolso

e carrega milhões de palavras

sem carregar

o cheiro de nenhuma página?

Foram para as redes

onde tudo acontece depressa,

onde uma imagem dura segundos,

uma notícia envelhece em minutos

e um pensamento

é substituído por outro

antes mesmo de amadurecer?

Talvez...

Mas talvez

tenhamos perdido alguma coisa

no caminho.

Porque uma biblioteca

não é apenas um lugar

onde os livros dormem.

É um lugar

onde perguntas acordam.

É onde uma criança

pode descobrir

que o mundo é muito maior

que a rua onde mora.

Onde um adolescente

pode encontrar

uma palavra para aquilo

que ainda não consegue dizer.

Onde um adulto

pode reencontrar

o sonho que abandonou.

Onde um idoso

pode conversar com o tempo

através das páginas.

Mas...

quem está dizendo isso às pessoas?

Quem anuncia

que a biblioteca existe?

Quem a transforma

em encontro,

em música,

em poesia,

em cinema,

em teatro,

em conversa,

em descoberta?

Por que tantas bibliotecas

ainda parecem esperar

que o leitor simplesmente apareça?

Não seria preciso

também ir buscá-lo?

Talvez a biblioteca do futuro

não possa continuar sendo

apenas silêncio.

Talvez precise ser

silêncio e movimento.

Livro e celular.

Página e tela.

Leitura e podcast.

Poesia e música.

Pesquisa e inteligência artificial.

Memória e futuro.

Porque a tecnologia

não matou o conhecimento.

Ela apenas mudou

a maneira de procurá-lo.

E talvez o grande desafio

não seja combater

o telefone...

Mas ensinar

o telefone

a nos conduzir

de volta ao livro.

Porque podemos ter

o mundo inteiro

dentro de uma tela...

E ainda assim

continuarmos sem compreender

o mundo.

Há uma biblioteca vazia.

Uma cadeira permanece

diante de uma mesa.

Sobre ela,

um livro aberto.

Ninguém lê.

Ninguém vira a página.

E aquela página aberta

parece perguntar:

“Ainda sou necessária?”

Talvez a resposta

não esteja nos livros.

Talvez esteja em nós.

Porque enquanto houver

uma pergunta sem resposta,

uma criança querendo descobrir,

um jovem procurando sentido,

um adulto desejando aprender,

um velho querendo recordar,

haverá necessidade de bibliotecas.

Mas não de bibliotecas

que apenas guardem livros.

Precisamos de bibliotecas

que guardem encontros.

Que despertem curiosidades.

Que provoquem pensamentos.

Que acolham diferenças.

Que façam do conhecimento

uma experiência viva.

Porque uma biblioteca vazia

não é somente uma sala sem pessoas.

Às vezes,

é uma sociedade

que deixou de perceber

o valor de perguntar.

E talvez o maior perigo

não seja ver

as estantes vazias.

Mas perceber

que estamos nos acostumando

com elas.

Então...

Biblioteca,

ainda há alguém aí?

Sim.

Há alguém.

Há sempre alguém

procurando uma palavra

para compreender a própria vida.

Talvez só esteja

do outro lado da tela.

Talvez nossa tarefa

seja simplesmente

mostrar-lhe o caminho

até a porta.

E deixá-la aberta.

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 12/09/2026


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