POETICUS ETERNUS

" Somos o que pensamos, fazemos e falamos"

Textos


GAZA CHORA

Gaza chora

De dor e abandono

De indiferença e abandono

Gaza chora

Pela destruição sofrida

Pelos inocentes que morreram

Gaza chora

E o mundo parece não escutar

Enquanto o silêncio se transforma

Em mais uma forma de violência

Gaza chora

E cada lágrima carrega um nome

Uma história interrompida

Um sonho que não amanheceu

Gaza chora

Pelas casas que deixaram de ser casas

Pelas escolas que perderam suas vozes

Pelos hospitais cercados de silêncio

Pelas famílias separadas pela guerra

Gaza chora

E uma criança pergunta

Por que o céu deixou de ser azul?

Por que o pássaro não consegue cantar

Sem que o medo atravesse seu voo?

Gaza chora

E talvez a maior tragédia

Não seja somente a destruição

Mas o risco de nos acostumarmos

Com a dor dos outros

Quando a morte vira número

Quando a criança vira estatística

Quando uma lágrima já não nos comove

Algo dentro da humanidade também começa a morrer.

Gaza chora

Mas ainda respira.

Respira entre os escombros

Entre a poeira e a memória

Entre aqueles que partiram

E aqueles que insistem em permanecer.

Gaza chora

E cada mãe que abraça seu filho

Parece abraçar o próprio mundo

Como quem tenta protegê-lo

Da loucura dos homens.

Gaza chora

E eu me pergunto:

Quantas guerras ainda serão necessárias

Para aprendermos que nenhuma vitória

Deveria precisar de tantas crianças mortas?

Que fronteira é esta

Que separa o meu sofrimento do seu?

Que diferença existe

Entre a lágrima de uma criança

E a lágrima de outra criança?

Gaza chora.

E talvez devêssemos chorar também.

Não por um povo contra outro,

não por uma bandeira contra outra,

não pela vingança,

não pelo ódio,

mas pela vida.

Por toda vida.

Porque quando uma criança morre

não morre apenas uma criança.

Morre uma possibilidade.

Um futuro.

Uma palavra que ainda não foi escrita.

Uma canção que ainda não foi cantada.

Um amor que ainda não aconteceu.

Gaza chora.

E o mundo precisa escutar.

Não apenas com os ouvidos,

mas com a consciência.

Não apenas com os olhos,

mas com a humanidade.

Gaza chora.

E enquanto houver uma lágrima

pedindo que a vida seja respeitada,

a poesia não poderá permanecer em silêncio.

Porque a poesia não salva os mortos.

Mas pode impedir que sejam esquecidos.

E talvez seja esse o seu último compromisso:

lembrar ao mundo

que nenhuma vida deveria ser descartável.

Gaza chora.

E a humanidade deveria escutar.

Poeticus Eternus
Enviado por Poeticus Eternus em 28/09/2026


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